Perseverança dos Santos segundo John Murray

John Murray, em *Redenção Consumada e Aplicada*, ensina que a perseverança dos santos não significa que todos os que professam fé sejam salvos, pois é possível demonstrar sinais externos de fé sem uma conversão genuína. A parábola do semeador ilustra essa verdade, mostrando que somente aqueles enraizados em bom solo permanecem. A perseverança na santidade é um sinal da salvação verdadeira e ocorre pelo poder de Deus. Embora os salvos possam enfrentar períodos de apostasia, sempre retornarão. Cristo garante que nenhum eleito se perderá, pois sua obra assegura que todos os justificados serão glorificados.

Santificação na Visão de John Murray

John Murray, em Redenção Consumada e Aplicada, explica que o chamado eficaz e a regeneração são atos divinos que libertam o homem do domínio do pecado, mas não removem sua presença. A santificação, por sua vez, é um processo contínuo conduzido pelo Espírito Santo, no qual o crente luta contra o pecado, que agora é um inimigo sobrevivente, não mais reinante. O autor enfatiza que a santificação não ocorre por técnicas humanas, mas pela obra do Espírito, à qual o crente deve responder ativamente. A vitória sobre o pecado será plena apenas na glorificação final.

A Adoção Segundo John Murray

John Murray, em Redenção Consumada e Aplicada, enfatiza que os elementos da ordo salutis estão relacionados, mas não são causas automáticas uns dos outros. Ele explica que a adoção não é uma consequência inevitável da regeneração e justificação, mas uma graça adicional de Deus. A adoção é um ato jurídico pelo qual Deus concede o status de filhos aos salvos (Jo 1.12-13), sendo distinta da obra do Espírito Santo. Murray diferencia a paternidade universal de Deus na criação da paternidade especial na redenção, destacando a exclusividade desse título na relação com o Pai dentro da Trindade.

A Justificação Segundo John Murray

A justificação do homem, segundo as Escrituras, não vem por esforços religiosos, mas exclusivamente pela graça de Deus. O autor explica que essa justificação é um ato jurídico, onde Deus declara justo aquele que não é, com base na imputação da obediência perfeita de Cristo. A fé, embora necessária, não é a base da justificação, mas o meio pelo qual nos apropriamos da justiça de Cristo. Qualquer tentativa humana de se justificar falha, pois a justiça verdadeira só é encontrada em Cristo. A graça de Deus não leva à frouxidão moral, mas a uma fé viva que produz frutos.

John Murray, o Chamado Eficaz e a Regeneração

O chamado eficaz é o ato soberano de Deus que inicia a salvação, distinto do chamado universal do evangelho. Esse chamado não depende da resposta humana, mas é irresistível e conduz à conformidade com Cristo. Deus é o agente desse chamado, tornando-o irrevogável. A regeneração, realizada pelo Espírito Santo, transforma o homem morto em pecados, tornando-o apto a responder ao chamado. Esse novo nascimento é um ato soberano e misterioso, não sendo mediado pelo batismo, mas pela obra do Espírito. O autor reforça que a regeneração é a fonte das demais graças salvadoras e essencial para a redenção.

John Murray e a Ordem da Aplicação da Redenção (Ordo Salutis)

John Murray, em Redenção Consumada e Aplicada, expõe a ordem da aplicação da redenção baseada na Escritura. Ele destaca que, embora os textos bíblicos não apresentem uma sequência explícita, há uma lógica na salvação. Romanos 8.28-30 estrutura a ordo salutis, iniciando na presciência e predestinação, passando pelo chamado eficaz, regeneração, fé e arrependimento, justificação, santificação e glorificação. A resenha critica a falta de conexão entre a ordo salutis e os elementos da obra de Cristo (expiação, redenção, reconciliação, propiciação, sacrifício), podendo dar a impressão de dois sistemas distintos. A base judicial da salvação, porém, está na obra consumada de Cristo.

John Murray e a Extensão da Expiação

A seção analisada discute a questão central: por quem Cristo morreu? O autor argumenta que termos como “todo homem” e “mundo” nas Escrituras devem ser interpretados no contexto, evitando um entendimento literalista. Ele demonstra que textos como Hebreus 2.9 e Romanos 5.18 restringem a salvação aos eleitos, contrapondo-se à expiação ilimitada. Além disso, enfatiza que a expiação limitada mantém a eficácia da obra de Cristo, enquanto a visão universalista enfraquece sua eficácia. A resenha sugere reestruturar a ordem dos argumentos para maior clareza e destaca a exegese de 1 João 2.2 sobre a abrangência da salvação.

John Murray e a Natureza da Expiação

John Murray, em Redenção Consumada e Aplicada, explora a expiação de Cristo, dividindo sua obediência em ativa (cumprindo a lei) e passiva (sofrendo a penalidade do pecado). Ele destaca que Cristo voluntariamente se submeteu à obediência até a morte. A obra sacrificial de Cristo é comparada ao sistema levítico, mas sua superioridade é evidenciada. A propiciação remove a ira divina, enquanto a reconciliação soluciona a alienação humana. A redenção, por fim, liberta da maldição da lei. Murray enfatiza o caráter jurídico da redenção e da reconciliação.

John Murray e a Necessidade de Expiação

John Murray, em Redenção Consumada e Aplicada, fundamenta a expiação no amor soberano de Deus. Ele contrasta duas perspectivas: a Necessidade Hipotética, que aceita outros meios possíveis para a redenção, e a Necessidade Consequente, mais alinhada à teologia protestante, que afirma a necessidade do derramamento de sangue. O autor usa Hebreus 9 para reforçar essa necessidade, argumentando que a justificação exige um sacrifício eficaz. Ele conecta salvação e justificação ao caráter jurídico da redenção, apontando que apenas em Cristo há plena satisfação da justiça divina.

Mark Jones e a Relação com Cristo

A resenha aborda a relação entre Cristo e sua igreja, destacando que somos sua plenitude e recompensa por sua fidelidade (Ef 1.23). Cristo nos ama por sua natureza e por mandamento do Pai (Jo 6.37-40). Também exerce a ira divina sobre os ímpios (Ap 19.11-16). No céu, veremos sua face glorificada, transformando-nos (1Jo 3.2). A resenha discute os nomes e ofícios de Cristo, enfatizando seu papel mediador como profeta, sacerdote e rei. Embora informativos e acessíveis, esses capítulos poderiam vir no início do livro para fundamentar melhor a leitura dos demais temas abordados.